As Ondas Eternas de Gastón Bilo – Surf Art

As Ondas Eternas de Gastón Bilo – Surf Art

Como levar à permanência um momento mágico através da madeira? Como reproduzir com exatidão aquela perfeição vinda da natureza que representa o ícone dos nossos anseios como surfista?

O arquiteto argentino Gastón Bilobrowka `Bilo´, 27, conseguiu através da sua arte reproduzir com bom gosto as principais ondas do mundo como Teahupoo ou Mavericks. Suas criações conheceram o mundo todo e foram exibidas em exposições de arte, alcançando as mãos de surfistas e ícones do esporte, como uma espécie de peça de devoção pela suavidade das curvas.

Bilo conversou com Onda Gringa numa entrevista exclusiva, confira.

OG: Onde você mora?

GB: Meu nome é Gastón Bilobrowka, sou arquiteto e artista de Buenos Aires, Argentina. Cresci no município de Martinez, onde moro atualmente, a 25 quilômetros da Capital.

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OG: Como surgiu o interesse pelas artes plásticas e quando?

GB: Não sei quando começou exatamente, mas sempre tive facilidade. Meu pai tem todo tipo de ferramentas e as concerta também, então isso me deu certa acessibilidade. Construir coisas sempre foi minha paixão, desde criança construía coisas simples que precisasse e a arquitetura como carreira teve muito a ver com isso. Aprendi sempre partindo da curiosidade, com acertos e erros.

OG: Como a arquitetura influenciou na tua arte?

GB: A arquitetura me deu muito mais do que uma profissão, é uma carreira demandante em muitos aspectos e isso lapidou-me como pessoa.

Para a planificação da onda como obra é necessário entender ela como um todo e também todas suas seções para conseguir sua essência. Algumas demoram mais tempo do que outras para entende-las. As maquetes e modelos de manualidade da carreira também ajudaram no trabalho de execução e pensamento da onda.

OG: Que materiais você usa nas obras e quais são teus preferidos?

GB: O material que me deixa mais a vontade para trabalhar é madeira, pela maleabilidade. Seleciono as madeiras em função das vetas, que me dão a possibilidade de brincar com o desenho da textura da onda. Agora estou tentando fusionar rochas com resina para criar outro aspecto conceptual à onda e outro ponto de vista.

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OG: Que elementos usas como inspiração?

GB: Tento me inspirar na arte ou em objetos que possuem um pensamento distinto ao que normalmente é adjudicado, esse raciocínio me ajuda quando estou estagnado com alguma ideia.

Em relação às ondas, tento buscar que aspecto delas as faz únicas no seu tipo.

OG: Em que época começou a andar de skate e como foi sua aproximação ao surf? 

GB: Meu interesse pelo surfe e os esportes com prancha começou recém com 16 anos. Depois de andar de skate longboard e wakeboard, percebi que gostava muito e aos poucos fui me interessando. Pouco tempo depois era costume descer as ladeiras e daí para frente fui me aproximando à cultura das pranchas. No verão seguinte fui para Costa Rica para surfar e agora cada vez que tenho um tempinho fujo para alguma trip no país ou fora. .

OG: Teus trabalhos com as ondas eternas te consagraram como artista plástico do surf. E quais exposições já participasse e quais ainda virão?

GB: Estive em Boards&Arts, para o show de Donavon Frankenreiter e do Matt Costa. Também participei do MusicWins e outros. O que mais guardo como riqueza é ter a possibilidade de ter conhecido pessoas incríveis como Donavon, o surfista profissional Lele Usuna, o co-fundador da Reef e presidente da ISA Fernando Aguerre, e o shaper Matt Biolos. Espero que neste ano apareçam novos eventos para participar, estou materializando novas ideias!

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OG: Quanto tempo de trabalho demanda aproximadamente uma obra das ondas?

GB: Cada onda leva uma média de 30 dias de trabalho, com bom ritmo, se não tiver outros trabalhos em paralelo. Estou realizando versões menores e mais económicas que demoram de 15 a 20 dias para conclusão. Já a peça que demorou mais tempo foi a onda de Teahupoo numa versão grande, de 0,70m x 1,60m que pesou 50kg! Demorei dois meses e meio para concluir!.

OG: Existe alguma onda que você gostaria de criar e que ainda não tenhas feito?

GB: Sim, Pipeline é a próximos, mas quero trabalhar com tempo para atingir a maior exatidão possível. Shipsterns Bluff é outra das ondas que gostaria de fazer pelas características únicas.

OG: Que países você já visitou e quais outros gostaria de conhecer?

GB: Viajei pela Europa, e estive em Equador, Uruguay, Argentina e Costa Rica. Em praticamente todos surfei, mas com certeza voltaria para Costa Rica ou Mopiche, no Equador. Gostaria muito de conhecer Indonésia e Havaí. Sinto-me muito mais confortável perto da natureza e do mar.

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OG: Quais artistas plásticos você admira da atualidade?

GB: Admiro o trabalho de Haroshi e suas obras com skates reciclados, é espetacular. Também gosto do trabalho de Bill Prickett (tal vez menos conhecidoa, mas tenho uma uma influência mais direta), é admirável. Já relacionado com o surfe gosto do trabalho de Nathan Ledyart e Johnysurfart. Eles procuram a essência desta paixão desde um ponto de vista pessoal e com suas próprias técnicas, da mesma maneira que eu encaro meu trabalho.

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Con Matt Bilos

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