Além das ondas do amor, surf como escolha de vida

Além das ondas do amor, surf como escolha de vida

Há muito tempo o surf deixou de ser o esporte dos reis havaianos ou uma atividade de lazer, e se tornou um esporte massificado de alto rendimento, para muitos, o seu trabalho e fonte de ingressos que vai para além de uma diversão e descontração. Seja qualquer o esporte praticado, sempre existe um preparo que é físico, no qual o corpo está em foco. Por pensar muito no condicionamento físico e cuidar dele, a verdadeira importância do fator psicológico é passada por alto, prejudicando nosso máximo aproveitamento sobre a atividade esportiva que escolhemos.

O esporte e o psicológico estão intimamente ligados, emoções estão envolvidas seja de adrenalina, fracasso, ansiedade, concentração, alegria, decepção entre outras.

Na maioria dos casos o esporte pode ser algo desestressante, porém se não souber “controlar” e “entender” as emoções, estas poderão se transformar em estresse ( isto geralmente transcorre quando o esporte é uma profissão em virtude de campeonatos, viagens e metas, pois o lazer nunca é estressante, o lazer é um remédio para a saúde).

Se analisar o perfil dos surfistas que aderiram ao esporte após os vinte anos, a maioria trabalhava em lugares fechados e tinham um cotidiano marcado com turbulências, correrias, obrigações com roupas mais formais etc . Ser surfista começa como uma fuga dessa vida agitada e solene, pois a própria praia traz um ar de liberdade, tranquilidade, calma, relaxamento e lazer.

Beleza com Foco

A praia é um ambiente descontraído referencial para várias lembranças boas, entre elas imagens de férias, alegria, família, amigos e entretenimento. Se praia para a maioria já é apaixonante, praticar um esporte neste lugar torna-se mais ainda. Porém o surf vai além de gostar do ambiente, mas estar apto e amigável com ele. Nesta situação é que entra o psicológico que vai para além de um preparo físico, pois existe um equilíbrio, atenção, concentração planejamento de manobras etc. Também os amantes do surf têm que ter paciência , pois muitas vezes o tempo não colabora, não tem “onda” para o esporte, ou então a maré não está boa( não depende somente da pessoa, mas do ambiente, é preciso ser então uma pessoa pacífica e compreensiva).

Outro fator que diferencia o esporte da grande maioria das atividades esportivas é o elemento água. O surf lida inseparavelmente com fenômenos da natureza e, diferente de outros esportes onde a atividade acontece numa quadra ou campo estático, praticar surf é ser sempre dinâmico. Não há nenhum domínio do surfista sobre as condições do mar e, por tanto, isso exige do atleta administrar sua ansiedade, saber se vale a pena entrar na água por poucas condições ou é melhor sair porque está muito perigoso.

O conhecimento sobre as capacidades de cada um é o que vai garantir a própria integridade ou segurança em função das condições do mar (tamanho das ondas, local perigoso etc). Esta auto-avaliação é a que vai lapidar esse candidato a surfista numa pessoa mais confiante em si mesmo, na medida em que consiga superar barreiras pessoais sujeitas ao meio e suas forças. Pessoas que surfam têm mais segurança, pois confiam em si mesmas, não tendo medo da água ou de situações danosas que possam ocorrer.

A individualidade do esporte faz gerar uma independência, onde a evolução depende exclusivamente do praticante.  Está independência também é notada pela escolha de inúmeras pessoas em morarem sozinhas, ou ter um histórico de vida marcado por saírem da sua cidade onde nasceram para ir morar num outro lugar ( lugar a quilômetros de distância, sendo muitas vezes em outro estado ou até mesmo país). Independência também é vista através do desapego das coisas, num indivíduo livre de prisões, que sabe viver o momento e esperar o momento. Assim, tem controle da sua vida e quase não precisa dos outros, ou não é afetado pela opinião alheia. Faz o que quer sem se preocupar com que os outros vão achar ( porém sempre sendo responsável).

O surf vai além do amor às ondas, é um estilo de vida, um estilo próprio e de personalidade. Tem que ser muito confiante e determinado para praticar este esporte e auto-conhecer seus limites frente aos limites impostos pelo mar. É por isto que nem todas as pessoas conseguem surfar, pois o primeiro passo para a auto-superação parte de um preparo que não é físico e sim psicológico, de ser independente e agir de forma independente.


Texto

– Patrícia Cassol Eickhoff –

Psicóloga e Mestranda em Educação nas Ciências 

CRP 07/24583 

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