Maior desastre de contaminação por óleo em décadas atinge Praia de Maresias

  Ondas com óleo entraram na praia. Forte cheiro na água. Foto: Divulg
Meio Ambiente-São Paulo
Na quinta-feira, 06 de setembro, um caminhão da Petrobras carregado com óleo diesel tombou na curva da SP-55 (Rio Santos), na serra de Maresias, em São Paulo, e despejou cerca de 15.000 mil litros de óleo diesel na pista, que desceram pelo Rio do Canto do Moreira e consequentemente foram parar no oceano. O acidente desencadeou um dos maiores desastres ambientais em décadas registrados na Praia de Maresias, disse o secretário de Meio Ambiente de São Sebastião, Eduardo Hipólito. Leia a matéria completa.

Um dos maiores perigos do óleo é que ele é transparente e não foi possível ainda avaliar o alcance desta catástrofe onde várias espécies de animais já começaram a aparecer mortas na praia de acordo com moradores e surfistas.  Os órgãos ambientais calcularam que 30% da costa de Maresias teria sido atingida pelo óleo e reforçou o alerta à moradores e visitantes.
  A Defesa Civil interditou 800 metros da praia no feriadão. Foto: Divulg
A comunidade do surf de Maresias alertou para não entrar na água por uma questão de saúde, já que não é possível saber onde estão as maiores concentrações do produto que provoca irritação nos olhos e na pele.
“Ao contrário do petróleo que deixa uma mancha preta na água, o óleo diesel é muito fino e você não vê, ele some. Com o grande movimento de banhistas e com a ajuda dos ventos ele vai se espalhando pelo mar. A contaminação estaria chegando nas águas de Paúba”, disse o secretário.
Eduardo disse ainda, que, a contaminação teria afetado gravemente pequenos córregos onde as águas ficam represadas, dentre eles o Água da Saúde, causando a mortalidade de muitos peixes. “Estamos pedindo para que o trabalho de contenção seja maior nesses pontos, onde nos informaram que há mais concentração de óleo diesel, para evitar que mais quantidade do produto vá para o mar”, afirmou.
        Óleo na praia já começou afetar peixes e crustáceos. Foto: Divulg.
MULTAS E CUIDADOS
Hipólito afirmou ainda que pelo menos duas multas serão aplicadas, pois a contaminação afetou dois tipos de ecossistema: o mar e toda a região que leva a água ao oceano. A Defesa Civil e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) foram acionados. Os trabalhos devem seguir durante o fim de semana e a próxima.
A empresa Petrobras informou através de  uma nota oficial que não teriam acontecido danos ambientais e que todo o vazamento do produto teria sido contigo com mantas absorventes. Já a Defesa Civil interditou 800 metros de praias e proibiu aos veranistas tomar banho nestes pontos.
                      Para a Petrobras não houve dano ambiental. Foto: Divulg.
DEPOIMENTOS
O engenheiro agrônomo Andre Motta Waetge, que foi conferir o acidente informou através das redes sociais que nenhuma medida de contenção foi executada pela Petrobras e que as únicas ações partiram da Defesa Civil, que trabalhou durante horas despejando areia e utilizando máquinas na pista. “O mais impressionante é que esse acidente era premeditado, muitos já morreram em acidentes nesse local, já batizado de curvas da morte. Passei um bom tempo da noite e a manhã inteira no local e apenas dois funcionários de uma empresa terceirizada pela Petrobras, estavam, desesperadamente, tentando resolver o problema, 17 horas após o acidente”, informou.
De acordo com o especialista, o cheiro na praia é forte e milhares de seres vivos estão morrendo e peixes pequenos de água doce, pitus e toda forma de vida que existia nos cursos d’água foram exterminados.
O ambientalista questionou as medidas de contenção e organização existentes no país, considerando que ainda será explorado o pré-sal a mais de 6.000 mil metros de profundidade. “Teremos oleodutos cortando todo nosso litoral por onde passam toneladas de óleo por minuto, e quando um simples caminhão tomba na estrada ninguém consegue resolver, o que vai acontecer quando o acidente tiver maiores impactos?”, encerrou Andre. 

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