Transformador com óleo cancerígeno pode estar na sua rua

Transformadores e barris com o produto estão sendo descartados. 
Meio Ambiente-Santa Catarina
Silencioso e muito efetivo, o transformador do sistema de energia elétrico público pode ser um inimigo perigoso na sua rua. A empresa estatal Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A.) está realizando um levantamento da quantidade destes aparelhos que ainda funcionam com um sistema de refrigeração a base de óleo de ascarel, um produto altamente cancerígeno que em contato com o solo ou a pele podem acarretar problemas à saúde.

Área de contenção em Tapera, próximo da central. Foto: Noticias do Dia
Crime
Recentemente a empresa foi multada em R$ 1 milhão pela vara ambiental da Justiça federal de Florianópolis pelo derramamento deste óleo em uma estação de treinamento desativada, próxima da área de preservação ambiental no Sul da Ilha de Santa Catarina.
A empresa assumiu a responsabilidade pelo dano ambiental, porém ainda é incerta a extensão do prejuízo, já que a substância pode ficar acumulada em espécies animais e contaminar a população.
Grupos ecológicos solicitaram uma perícia mais apurada sobre a dimensão do problema, já que 12.000 mil litros do óleo vazaram para um córrego de um rio da ilha no dia 12 de novembro, entanto os trabalhos de contenção do produto somente começaram no dia 27 de dezembro.
O produto é cancerígeno e pode trazer complicações à saúde. 
Ressarcimento? 
O caso demando uma indenização por danos morais, de caráter coletivo, considerou o juiz Macelo Krás Broges em função da “grande comoção social, que preocupou todos os habitantes da cidade por mais de duas semanas, pois não sabiam se estavam a comer frutos do mar contaminados ou se podiam se banhar nas águas das baías Norte e Sul”.
Embora poucos meios de comunicação divulgaram o problema na sua dimensão real, existe um pedido de alerta na área da sáude na região de Tapera, Alto Ribeirão, Carianos e Ribeirão.Foi pedido publicamente que as comunidades evitassem comer desde peixe até mariscos num rádio de 730 hectares.
Sintomas
A falta de estudos deixa sem confirmação as dimensões do crime ambiental. A contaminação por ascarel é conhecida como “Mal de Yusho” pelo primeiro grave acidente com o produto no Japão em 1968. A contaminação pode provocar sintomas como fadiga, dor de cabeça, dores com inchaço, inibição do crescimento da dentição, anemia, problemas sanguíneos, redução da condução nervosa, erupção na pele, despigmentação, dor nos olhos, linfopenia, abcessos pleurais, diarreia grave, dermatites, cloroacne. Infecções crônicas das vias aéreas, persistentes por vários anos.
Tanto no Japão, quanto na Argentina e outros locais onde existiu contaminação pelo produto foi registrado um grande número de casos de morte precoce por câncer.
Atualmente os barris que restaram no espaço da Celes com o produto estão sendo levados para Bahia para serem incinerados .

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