Gabriel Medina Vence Kelly em Teahupoo

Gabriel Medina Vence Kelly em Teahupoo

Circuito ASP-Taiti//

Com a vitória histórica de Gabriel Medina na segunda-feira, 25, no Billabong Pro Tahiti em Teahupoo, o Brasil está cada vez mais próxima de transformar em realidade um sonho de gerações, o tão desejado título mundial Samsung Galaxy ASP World Championship Tour. Medina venceu numa final acirrada em ondas perfeitas de até 12 pés a Kelly Slater, que também deu um show de surf. A conquista levou ao brasileiro ao topo do ranking mundial com folga de 7.800 pontos em relação a Kelly, que está em segundo lugar. Gabriel marcou 18,96pontos contra 18,93 pontos de Slater e somou 10 mil pontos. 

Gabriel Medina reinou nos tubos de Teahupoo. (Foto: Kirstin Scholtz / ASP)

Gabriel Medina reinou nos tubos de Teahupoo. (Foto: Kirstin Scholtz / ASP)

“Eu realmente não sei o que dizer, só que foi um dia muito especial, inesquecível para mim”, disse Gabriel Medina. “Eu me sinto abençoado por estar aqui surfando com todos esses caras incríveis nestas condições perfeitas em Teahupoo. Este campeonato é muito especial e estou muito feliz pela vitória. O Kelly (Slater) é uma lenda do surfe e é a melhor sensação do mundo poder ganhar dele. As ondas estavam grandes, com tubos perfeitos e ser campeão aqui é um sentimento indescritível. Eu amo surfar e essas ondas são sensacionais. Eu quero agradecer a ASP por realizar este evento e estou muito feliz por fazer parte da história desse campeonato”.

Mas, depois de tantos tubos perfeitos durante todo o dia, a decisão do título do Billabong Pro Tahiti 2014 começou com poucas ondas e chegou a ser reiniciada porque ninguém surfou nada nos primeiros 15 minutos. Aí Medina já pegou o primeiro tubo para largar na frente com nota 7,90. Slater ficou com a prioridade de escolha da próxima onda, mas perdeu quando remou para uma e não entrou. Logo Medina pega a de trás, encaixa no tubo, sai limpo e ganha 9,07. Slater falha em outra tentativa, cai e toma uma série de ondas na cabeça, mas reaparece remando para o outside, enquanto Gabriel Medina desce uma bomba e faz outro tubaço saindo com o spray para tirar nota 9,43.

Passam-se alguns minutos nos grandes intervalos entre as séries e novamente Slater erra na escolha, deixando a melhor para Medina surfar outro tubo com muita tranquilidade, mas sem mudar o seu placar de 18,50 pontos. Demorou, mas o melhor do mundo em todos em tempos achou o seu primeiro canudo para entrar na briga com nota 9,63, a maior da bateria. Mas, o brasileiro logo dá o troco em outra grande onda, despencando num buraco incrível para entrar no trilho de mais um tubo fantástico em Teahupoo. O seu primeiro 10 no Taiti não saiu, mas valeu 9.53 para abrir 9.33 pontos de vantagem sobre Slater nos 15 minutos finais.

Kelly Slater em sua primeira final no ano (Foto: Will Hayden-Smith / ASP)

Kelly Slater em sua primeira final no ano (Foto: Will Hayden-Smith / ASP)

Na primeira tentativa, o onze vezes campeão mundial entra numa onda enorme que poderia dar a virada, mas cai na saída do tubo e a prioridade de escolha da próxima ficou para Gabriel Medina. Faltando 10 minutos, os dois remam na primeira da série e Medina foi no tubo, mas acabou não completando. Aí a melhor desta vez ficou para Kelly, mas não era tão boa e a nota 8.97 não serviu, pois precisava de 9.33. No toque dos últimos 5 minutos, a prioridade era dele, mas o tempo foi passando e nada de ondas, com os dois lado a lado esperando.

Faltando 2 minutos, Slater pegou um tubaço, sumiu lá dentro, mas não saiu de novo. Ele não desiste e no último minuto ainda acha outro tubo que consegue completar e o título do Billabong Pro Tahiti ficou em suspense pela divulgação da nota desta onda. Antes disso, Kelly acenou para Gabriel Medina e foi ao encontro dele cumprimentar o cada vez mais líder da corrida pelo título mundial da temporada.

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Dos cinco juízes, dois acharam que a onda valia a virada e deram 9,40, mas os outros três não e a média ficou em 9,30, com Gabriel Medina conquistando mais uma vitória inédita para a sua carreira nas ondas mais temidas do mundo por três centésimos de diferença, 18,96 a 18,93 pontos. O brasileiro faturou mais um prêmio de 100.000 dólares e 10.000 pontos no ranking, abrindo uma larga vantagem de 7.800 pontos para o novo vice-líder e Slater é o único que vai brigar pela ponta com Medina na próxima etapa, de 9 a 20 de setembro em Trestles, na Califórnia, Estados Unidos.

“O que eu posso dizer? As ondas estiveram incríveis hoje (segunda-feira), com tubos perfeitos, ontem também”, disse Kelly Slater. “Foi um dia incrível. Nunca vi nada assim e este dia de hoje vai ficar guardado como um dos melhores de ondas da minha carreira, sem dúvida. Parabéns ao Gabriel (Medina). Ele estava surfando muito bem durante todo o evento e, especificamente, na final. Ele está fazendo uma grande temporada e agora é me preparar para Trestles (próxima etapa em setembro nos Estados Unidos) e eu estou ansioso para ver como será o restante deste ano. Promete ser emocionante como foi esse evento aqui no Taiti”.

MESMOS ADVERSÁRIOS – Gabriel Medina começou a temporada vencendo a primeira etapa na Gold Coast, Austrália, depois perdeu a ponta para Slater no Billabong Rio Pro no Brasil, mas recuperou com outra vitória espetacular e inédita nas Ilhas Fiji. Ele já havia confirmado o primeiro lugar no ranking logo no seu primeiro show nos tubos de Teahupoo na segunda-feira, quando conquistou a segunda vaga direta para as quartas de final contra o norte-americano Kolohe Andino e o australiano Bede Durbidge. Depois, ele acabou reencontrando os dois em seu caminho para a decisão do título no WCT do Taiti, pois ambos aproveitaram a segunda chance de classificação na repescagem.

Foi nesta fase que saiu a primeira nota 10 do dia, para o australiano Owen Wright na última bateria. A segunda nota máxima veio em seguida, na abertura das quartas de final para Bede Durbidge superar o defensor do título do Billabong Pro Tahiti, Adrian Buchan, por um incrível placar de 19,87 a 19,00 pontos. No duelo seguinte, Gabriel Medina derrotou de novo o norte-americano Kolohe Andino surfando os melhores tubos que entraram na bateria. E fez o mesmo contra Bede Durbidge nas semifinais, garantindo a primeira vaga na decisão por massacrantes 18,67 a 4,17 pontos.

SEMIFINAL ELETRIZANTE – Teahupoo parece ter reservado o seu melhor dia de ondas para fechar o Billabong Pro Tahiti em condições épicas na segunda-feira. Foram muitos tubos espetaculares surfados durante o dia, várias baterias decididas por pequenas diferenças com notas na casa dos 9 pontos, um verdadeiro espetáculo em cada bateria. A mais incrível de todas foi a semifinal entre Kelly Slater e John John Florence, reeditando a decisão do último Billabong Pipe Masters. O resultado foi o mesmo, com Slater vencendo, mas depois de outro longo suspense pela divulgação da nota da última onda, que foi mais um tubaço dos muitos que o havaiano surfou em Teahupoo.

O duelo foi eletrizante do início até o fim, com os dois pegando ótimas ondas logo no primeiro minuto. Foram dois tubos parecidos e o do Slater valeu nota 10, contra 9,90 do John John. O havaiano chegou a assumir a ponta, até Kelly completar outra onda boa para tirar 9,77 e carregar a liderança até John John surfar outro tubo incrível no último minuto. Ele precisava de 9,88 para vencer e os dois ficaram longos minutos aguardando o resultado, com a média ficando em 9,87, igualando os 19,77 pontos de Slater. Como o desempate é na maior nota, o dez da primeira onda da bateria acabou definindo a última vaga para a grande final.

O aussie foi o mais destemido do evento. Foto: ASP

O aussie foi o mais destemido do evento. Foto: ASP

Prêmio Andy Irons

Tubos profundos e com um grande grau de dificuldade valeram para o australiano Owen Wright o prêmio Forever Andy Irons – Maior Comprometimento. Ele dropou bombas sinistras, ficou tempão no fundo do tubo e vacou feio em algumas oportunidades, voltando logo em seguida às baterias. “Muito obrigado pela força galera! Estou honrado em receber o prêmio A.I, eleé meu heroi, sempre destemido e corajoso. Todos os top 32 merecem esse prêmio. Todo o mundo pirou nestes últimos dias, foi muito inspirador ser parte do melhor evento da minha vida. Estou muito contente de ter ficado em 5to lugar e muito mais de entubar rsr”, disse o aussie.

TOP-34 PARA O WCT 2015 – O resultado do Billabong Pro Tahiti provocou duas mudanças de nomes entre os 22 primeiros colocados no ranking que são mantidos na elite dos top-34 para o Samsung Galaxy ASP World Tour de 2015. As trocas envolveram quatro australianos. Adrian Buchan e Kai Otton entraram no G-22 do WCT e Adam Melling e Matt Wilkinson saíram. Melling ainda está garantindo a sua permanência entre os dez indicados pelo ASP Qualifying Series, mas Wilkinson ficou de fora da zona de classificação pelos dois rankings.

No momento, oito brasileiros estão na lista provisória dos top-34 para o ano que vem, um a mais do que neste ano. Metade pelo ranking principal, o líder Gabriel Medina, Adriano de Souza em sétimo lugar, Miguel Pupo em vigésimo e em 21.o o também paulista Filipe Toledo, que ficou tratando uma contusão no tornozelo e não foi competir no Taiti. O potiguar Jadson André está fora dos 22, mas é um dos quatro do Brasil no G-10 do ASP QS, junto com os paulistas Wiggolly Dantas e os catarinenses Tomas Hermes e Willian Cardoso.

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Informação: João Carvalho – Assessoria de Imprensa da ASP South America

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RESULTADOS DO ÚLTIMO DIA DO BILLABONG PRO TAHITI:

Campeão: Gabriel Medina (BRA) por 18,96 (notas 9.53+9.43) – US$ 100.000 e 10.000 pontos

Vice-campeão: Kelly Slater (EUA) com 18,93 pontos (9.63+9.30) – US$ 40.000 e 8.000 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com US$ 20.000 e 6.500 pontos:

1.a: Gabriel Medina (BRA) 18.67 x 4.17 Bede Durbidge (AUS)

2.a: Kelly Slater (EUA) 19.77 (10.0) x (9.90) 19.77 John John Florence (HAV)

QUARTAS DE FINAL – 5.o lugar com US$ 15.000 e 5.200 pontos:

1.a: Bede Durbidge (AUS) 19.87 x 19.00 Adrian Buchan (AUS)

2.a: Gabriel Medina (BRA) 17.27 x 15.27 Kolohe Andino (EUA)

3.a: John John Florence (HAV) 19.67 x 17.76 Dion Atkinson (AUS)

4.a: Kelly Slater (EUA) 19.80 x 16.10 Owen Wright (AUS)

QUINTA FASE – REPESCAGEM – Vitória=Quartas de Final / Derrota=9.o lugar com US$ 12.500 e 4.000 pontos:

1.a: Bede Durbidge (AUS) 15.40 x 14.66 Michel Bourez (TAH)

2.a: Kolohe Andino (EUA) 15.53 x 6.16 Tiago Pires (PRT)

3.a: Dion Atkinson (AUS) 19.33 x 14.77 Kai Otton (AUS)

4.a: Owen Wright (AUS) 19.87 x 12.83 Brett Simpson (EUA)

QUARTA FASE – Vitória=Quartas de Final / 2.o e 3.o=Repescagem:

1.a: 1-Adrian Buchan (AUS)=14.66, 2-Michel Bourez (TAH)=13.73, 3-Tiago Pires (PRT)=6.84

2.a: 1-Gabriel Medina (BRA)=17.37, 2-Kolohe Andino (EUA)=15.57, 3-Bede Durbidge (AUS)=9.00

3.a: 1-John John Florence (HAV)=18.16, 2-Kai Otton (AUS)=12.10, 3-Brett Simpson (EUA)=8.67

4.a: 1-Kelly Slater (EUA)=19.44, 2-Owen Wright (AUS)=16.74, 3-Dion Atkinson (AUS)=12.50

TOP-22 DO RANKING DO SAMSUNG GALAXY ASP WORLD TOUR 2014 – 7 etapas:

1.o: Gabriel Medina (BRA) – 46.150 pontos

2.o: Kelly Slater (EUA) – 38.350

3.o: Joel Parkinson (AUS) – 36.150

4.o: Michel Bourez (TAH) – 34.500

5.o: Mick Fanning (AUS) – 34.400

6.o: Taj Burrow (AUS) – 33.700

7.o: Adriano de Souza (BRA) – 30.600

8.o: Kolohe Andino (EUA) – 27.700

9.o: Nat Young (EUA) – 27.650

10: Owen Wright (AUS) – 24.900

11: Josh Kerr (AUS) – 24.000

12: John John Florence (HAV) – 23.950

13: Bede Durbidge (AUS) – 22.700

14: Jordy Smith (AFR) – 18.900

15: Julian Wilson (AUS) – 15.750

16: C. J. Hobgood (EUA) – 15.450

17: Fredrick Patacchia (HAV) – 15.250

18: Sebastian Zietz (HAV) – 14.450

18: Adrian Buchan (AUS) – 14.450

20: Miguel Pupo (BRA) – 14.200

21: Filipe Toledo (BRA) – 13.000

22: Kai Otton (AUS) – 12.000

——-outros brasileiros:

27: Alejo Muniz (BRA) – 10.700 pontos

29: Jadson André (BRA) – 8.500

35: Raoni Monteiro (BRA) – 3.500

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