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Alan Saulo e as crônicas do surf desde México até Venezuela

Alan Saulo entocado na praia de Zicatela. Foto: Eugene Van Der Elst
Surf Trips-América e Caribe
Existe melhor sensação que você estar no paraíso sem data de volta marcada? O surfista paraibano Alan Saulo, radicado em Santa Catarina, e local da Praia do Rosa, esteve cinco meses numa trip que percorreu os principais picos do Caribe e da América, passando por oito países e ainda conquistou o vice-campeonato da última etapa da Circuito Latino Americano de Surf na Venezuela. Ele conta suas vivências por alguns dos picos mais clássicos do continente…

Alan numa session de reconhecimento em Zicatela. Foto: Daniel Navas
Partida 
Um mês é muito tempo. Depois do atleta conferir que existiam 30 dias sem competições no calendário  de ventos que disputa anualmente a ideia de viajar começou a ganhar forma. As forças conspiraram e justo coincidiu com uma promoção de passagens para México. “Mesmo sem muito dinheiro pela falta de patrocínio consegui juntar um pouco de dinheiro com minha família, amigos e apoiadores, fiz um quiver com meu shape e me mandei”, disse Alan. 
O destino foi Puerto Escondido, um dos melhores beach breacks do mundo com ondas tubulares. “Dois dias antes de voltar para o Brasil recebi um e-mail dizendo que o campeonato que eu iria a participar havia sido adiado e as etapas do WQS no Brasil, canceladas. Isso foi o que me fez tirar tudo da mala e abandonar a passagem de volta…o custo de vida no Brasil é muito alto, acabava sendo mais econômico para mim estar morando no México do que nos meus pais”, comemorou o surfista, que sem roteiro previsto, acabou ganhando mais dias de surf, vitórias e muitos amigos. 
“Fui ficando e quando estava organizando a volta, vi que ia ter dois eventos  na America Central e poderia ir de bûs direto do México. Depois daí fui descendo e atravessei ate chegar no Panamá e pegar meu voo pra ultima etapa do ano que rolou nas Ilhas Margarita, na Venezuela”.
México esconde algumas das melhores ondas do mundo. Foto:Fernando Gioia
A Barca
O grupo da trip foi se formando com o decorrer do tempo. Quando Alan chegou, um amigo dele já estava lá há alguns meses. “Tinha um grande amigo, o Thiago Rausch, alem delefui com mais alguns amigos…todos marinheiros de primeira viagem no México…mas no fim das contas acho que fui o que fiquei mais tempo largado por La…kkkkkkkkk”, comemorou.  
OG: Quantos países você percorreu e quais são as ondas que mais ficaram na lembrança? 
AS: “Fiquei 4 meses no México, atravessei a Guatemala e Honduras para chegar no campeonato de El salvador, daí fui pra o evento da Nicarágua, e comprei meu voo para a última etapa saindo do Panamá. Isso me permitiu conhecer o lado do caribe da Costa Rica e do Panamá.
As ondas do México estão em um nível incrível, muito completo. É um lugar onde se pode surfar qualquer tipo de onda que possa imaginar…acredito que as melhores lembranças são de Puerto Escondido, Zicatela. Llá pude testar meu limites e reaprender a surfar, foi uma experiência diferente de tudo que o que já tinha vivido….”
O lado bravo de Zicatela é a força que quebra inúmeras pranchas. Foto: Daniel Navas
Experiência de sonho 
Admirada desde longe durante muitos anos, Alan sempre teve o sonho de surfar em Puerto Escondido, onde a beleza do local e a perfeição do tubo o fizeram imaginar o momento no tubo, uma sequência que hoje faz parte da sua história. 
“Puerto escondido sempre foi como um sonho, um sonho daqueles que tremia as pernas,kkkkk. Realmente eu não tinha muita ideia do que estava por vir. Quando cheguei lá vi que o buraco era bem mais embaixo do que eu imaginava, mas fui subindo degrau por degrau, conhecendo e respeitando meus limites, no fim da viagem eu estava um pouco mais a vontade.
Eu levei 5 pranchas, 6’0, 6’1, 6’2, 6’4 e 6’8…mas acabei comprando uma 7” pra ficar mais a vontade…
OG: Quebrou muitas pranchas por lá? 
AS: Quebrei todas as pranchas…a 6’8 foi a que mais usei e só ela parti seis vezes no meio…
O crowd em Puerto é intenso, não só pelo numero de pessoas na água, mas também pelas ondas que deixam o clima mais pesado, mas com um pouco de paciência sempre sobra uma…e quando chegar tua vez, é melhor tu não desperdiçar… 
Alan com seus broders checando o pico. Foto: Arquivo Pessoal
Permanência 
Ficar cinco meses fora do país não é fácil. Porém o surfista soube se planejar e contou com apoio da família, amigos e apoiadores. “Levei algumas coisas para vender e também participei do Quiksilver Pro em Acapulco, onde consegui ganhar mais um pouco de dinheiro. Fui economizando e no fim mesmo no aperto deu tudo certo”, disse Saulo. 
OG: Teve algum país ou região em especial que te surpreendeu pelo potencial das ondas?
Fiquei poucos dias no Caribe da Costa Rica e Panamá, mas o pouco que eu vi, não pude deixar de notar o potencial incrível de ondas que tem aquela parte da America Central. 
Alan nos canudos, já bem a vontade com o tempo. Foto: Daniel Navas
Nós, vos, e eles
OG: Como foram esses cinco meses falando em espanhol? Muitas amizades foram feitas ao longo da viagem?
Eu já desenrolava bem o espanhol e foi muito bom pra afiar, mas acho que o que mais melhorei foi me inglês, Puerto tem gente do mundo todo e então pra conhecer as pessoas e poder conversar o inglês é o melhor caminho…fiz muitos amigos de verdade que vou levar pro resto da vida, conheci pessoas muito especiais e que hoje fazem parte da minha vida, aproveitei ao Maximo essa oportunidade e quero voltar sempre a este pais.
OG: Passou alguns perrengues com transporte, pranchas ou comida?
Perrengue sempre, faz parte das trips….e a comida sempre apimentada, quem não ta acostumado(como eu) as vezes se da mal…kkkkkkkkk
OG: – Teve alguma situação pouco comum que o chamou a atenção em relação ao Brasil?
São culturas, costumes,comidas diferentes, mas em alguns países na America central pude perceber que a população ainda é muito explorada pelo governo e não tem muito perspectiva de crescimento…mas nada que não encontramos no nosso pais…
Caveiras de São Morte, típicas da cultura mexicana. Foto: Fernando Gioia
Mercado
OG: Como você viu o mercado do surf na América Latina e a imagem do Brasil nesta área?
O surf na América Latina está cada vez com mais força, este ano pude ver bem de perto, pois corri todo o tour latino americano profissional, e o nível de surf está cada vez mais forte e tenho certeza que logo vão aparecer vários talentos que vão dar o que falar… O Brasil já é visto não só pela America latina como por todo o mundo como uma grande potencia mundial no surf, pena que no país temos pouco incentivo para os atletas, hoje pra ser surfista profissional no Brasil tem que estar nessa pelo amor ao esporte não pelo dinheiro… 
México oferece diversos tipos de ondas. Foto: Fernando Gioia
Na rotina dos treinos 
Depois de cinco meses fora de casa, a volta ao lar, com a companhia de amigos e a família sempre serve para recarregar a bateria e iniciar uma nova fase de treinos. Alan já está organizando tudo para começar 2013 com a disputa de mais campeonatos e viagens, representando o país Brasil afora. 
A trip foi possível através do apoio da Index krown, Tools, Pico da Tribo, Pizzaria Demarchi, Truzz Wetsuits, Clinica Body Young, e Beto alemão consertos.

Pôr do Sol em Puerto Escondido, México. Foto: Fernando Gioia


O drop é nervoso….Foto: Daniel Navas
E o caldo também. Wipeout. Foto: Daniel Navas
Mais um dia de cabeça feita com a galera. Foto: Arquivo Pessoal
Ida e volta. Esquerdas e direitas perfeitas. Foto: Daniel Navas
Parceiros de toda hora na trip. Foto: Arquivo Pessoal
Para fazer o sonho realidade, só precisa de ir em frente. Foto: Miguel Diaz

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