Ouvido de Surfista, como evitar infecções

Ouvido de Surfista, como evitar infecções

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 Hoje o aumento do número de praticantes do esporte no Brasil revela cada vez mais algumas complicações que a prática constante do surf pode trazer na sua saúde. Os casos de otites crônicas em alguns surfistas levantam problemas que sem tratamento podem derivar em longo prazo inclusive na perda de audição. De acordo com a doutora e fisioterapeuta esportiva Adriana Rossi, uma destas complicações é a exostose ou ouvido de surfista, que é o estreitamento do canal auditivo de forma espontânea, numa tentativa do organismo para proteger o tímpano do vento e do frio, comuns na prática do esporte.

As otites, que são as infecções de ouvido, chegam a atingir quase 90% dos surfistas em algumas regiões. Elas aparecem quanto o ouvido não elimina bem a água do mar, seja por acúmulo do cerume ou pela diminuição do tamanho do canal auditivo. Neste caso, o problema precisa ser diagnosticado e receber acompanhamento para evitar agravar o quadro do paciente.

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Funcionamento

O ouvido apresenta na continuidade do pavilhão auricular e até chegarmos à membrana do tímpano um canal cilíndrico que conduz as ondas sonoras forrado por pele que apresenta pelos e glândulas ceruminosas na porção mais externa.

O nosso corpo tenta por tudo evitar que a água fria tal e qual como o vento cheguem ou tenham impacto sobre a membrana do tímpano reagindo com o estreitamento deste canal através do aparecimento de sucessivas camadas ósseas que se vão depositando como osso neoformado e estreitando o canal auditivo. Como consequência este canal diminui de calibre progressivamente e adquire uma forma de ampulheta que vai causar danos nomeadamente na expulsão da descamação epitelial e do cerúmen que passa a ser mais difícil e sobretudo da água caso esta entre para dentro do ouvido.

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Se todos estão recordados é frequente na praia a nossa volta haver banhistas que após um gostoso banho de mar, têm de estar 10 a 15 minutos aos pulos com o ouvido para baixo tentando que a água saia do mesmo.Os golpes da água e do vento vão afetando os ouvidos, uma vez que ficam completamente expostos. Mas existem formas de prevenção muito eficazes, como é o caso dos tampões de silicone feitos à medida de cada pessoa, que são de alta eficácia.

Por outro lado, com muita facilidade estes ouvidos podem entupir pois o canal a obstruir por cera ou por descamação é mais fino e entope mais facilmente. Assim um crescimento silencioso destas camadas concêntricas de osso, tecnicamente chamadas de exostoses do canal auditivo externo, crescimento que pode levar anos, após muita exposição à água e ao vento, surgem então sensações de entupimento, de comichão e rapidamente de dor, para não falar da infeção subsequente.

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Tampões de ouvido de silicone podem ser comprados em farmácias ou feitos sob medida para minimizar estes problemas.

Estas infeções chamadas otites externas são um pesadelo para o surfista e significam o primeiro aviso para uma ida ao otorrino e à realização de alguns exames, Tac e Audiogramas e às vezes cirurgias. A oclusão do canal pode ser total, ou sub-total e para além do tratamento médico, com antibióticos, e anti inflamatórios e gotas de aplicação local pode chegar-se mesmo à necessidade de uma cirurgia para remoção da exostose e recalibragem do canal auditivo externo.

De acordo com o otorrino Gregory Artz, do Hospital Universitário Thomas Jefferson em Philadelphia, nos Estados Unidos, infecções no ouvido muito frequentes durante um longo período de tempo podem inclusive provocar perca permanente dos níveis de audição. (AtlanticCity.com 15/02/2011)

Uma das leis da física diz que toda ação gera uma reação e assim como em outros esportes (tendinite do tenista, orelha do jiu-jítsu , etc…), pegar onda gera uma reação chamada de exostose que tão comum entre nos é conhecida oficialmente como ouvido do surfista.

A exostose é caracterizada pelo crescimento de tecido ósseo revestido de pele dentro do canal auditivo e esta principalmente ligada a pratica de surf em águas frias e ou com vento lateral.
Podendo ser classificada em leve (ate 1/3 de obstrução do canal auditivo), moderada (ate 2/3 de obstrução) ou grave (mais de 2/3).
O diagnostico é feito através da visualização do canal utilizando um instrumento médico chamado otoscópio.

Na maioria dos casos leves e moderados o surfista não irá ter problemas relacionados a exostose porém nos casos graves o alto nível de obstrução irá dificultar a passagem de ar e sons, sendo que, as principais complicações serão, diminuição da capacidade auditiva e otites de repetição .
Por ser uma doença benigna, atitudes mais radicais, como uma cirurgia, serão reservadas apenas aos casos mais complicados e, felizmente, raros. De uma forma geral o recomendado é prevenir… Prevenir que a exostose evolua em nível de obstrução e prevenir a ocorrência de otites.

Recomendações Práticas 

1 – Secar bem o ouvido com uma toalha depois de sair do surfe. 

2 – Após o banho em casa, é bom secar o ouvido com o secador de cabelo para eliminar umidade. 

3 – Os cotonetes de algodão somente limpam a parte externa do canal, não coloque eles até o fundo porque corre risco de machucar o ouvido. 

4 – Diante da dificuldade de eliminar a água do ouvido é recomendado a limpeza deste com um líquido para retirar o cerume. (pingar em temperatura morna. O processo demora alguns dias e deve ser praticado várias vezes). 

5 – Em caso de problemas contínuos é recomendado visitar o médio, neste caso um otorrino. 

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adriana rossi

 

 Adriana Rossi (CRF 64774) mora em São Paulo e tem especialização cárdio-respiratória em U.T.I e Medicina Esportiva. Seus trabalhos e investigações apontam para o maior desempenho físico de atletas profissionais e amadores na procura de um equilíbrio muscular. Menos lesões e maior desempenho na água são parte dos resultados obtidos através de diversos programas de treinam

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